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Mauro Carrusca fala de inovação colaborativa na BHNews

Em entrevista concedida ao jornalista e apresentador João Carlos Amaral na BHNews, o estrategista de inovação Mauro Carrusca fala do impacto das tecnologias disruptivas como a internet das coisas, a inteligência artificial dentre outras no comportamento das pessoas e também sobre o desaparecimento de postos de trabalho com a chegada da Quarta Revolução Industrial.

Mauro Carrusca, coautor do livro "Pinceladas de Inovação", lançado em janeiro deste ano, também aborda o que denomina "A era da aceleração", defendendo a importância da inovação colaborativa e a urgência de uma gestão mais horizontal e colaborativa.

Confira a entrevista completa em BHNews, 17/05/2018, Inovação Colaborativa

 

 

 

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Participação do palestrante Mauro Carrusca no Fórum de Desenvolvimento

Matéria publicada no site Tribuna de Minas, dia 06/10/2017

Fórum reúne mais de 500 na busca do desenvolvimento sustentável


Encontro reuniu vários setores da economia e dos poderes públicos local e regional. Entre os temas debatidos esteve o papel da inovação na recuperação da Mata mineira


Mais de 500 pessoas marcaram presença nos dois dias do Fórum de Desenvolvimento de Juiz de Fora, Zona da Mata e Vertentes, que manteve a tradição de unir palestrantes renomados, autoridades, empresários e formadores de opinião na discussão acerca do desenvolvimento sustentável. Com o tema Ética, criatividade e investimento – vetores de alavancagem do desenvolvimento, o fórum, realizado a cada dois anos pela Agência de Desenvolvimento de Juiz de Fora e Região, criou a sua identidade e consolida-se no calendário municipal como oportunidade de debate e troca de ideias em prol do avanço socioeconômico do município e da região.

Entre os palestrantes do dia estava Mauro Carrusca, CEO da Carrusca Inovation e autor de um artigo que está “bombando” na internet: “O seu mundo vai desaparecer”. Em entrevista à Tribuna, Carrusca comenta que o mundo que conhecemos está “indo embora”, e muitos ainda não perceberam isso. “As transformações digitais têm impactado profundamente a sociedade, as organizações e as empresas, e não dá mais para ficar simplesmente olhando e esperando o futuro chegar. A gente tem que trazer o futuro para o presente.” Segundo Carrusca, a transformação digital e o investimento em tecnologia são obrigações para as empresas. A inovação, no entanto, vai além. “É muito mais que isso. Significa gente e mudança de mentalidade. É preciso entender que a colaboração, a inclusão e uma gestão mais horizontal são fundamentais nos novos tempos. Se isso não for feito, para essas empresas, o mundo vai acabar.”

Leia a matéria na íntegra aqui.

 

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Entrevista de Mauro Carrusca na Latinoware 2016

Mauro Carrusca é um dos idealizadores da Trilha de Negócios da Latinoware e será um dos principais conferencistas na edição 2016. Especialista em Design Thinking e Empreendedorismo, e criador da Plataforma KER, este respeitado e qualificado profissional estreia uma série de entrevistas concedidas à Latinoware 2016.

Qual a importância da Latinoware para a geração de negócios, para o ambiente empresarial e tecnológico?

 A Latinoware, por ser um evento de amplitude internacional, reúne uma diversidade cultural, técnica e de competências fantástica. Isso, somada ao ambiente do PTI – Parque tecnológico Itaipu, onde é realizada, se constitui num ecossistema ideal não só para network e troca de ideias entre os empreendedores, mas para a efetiva geração de novas parcerias e negócios.

Neste aspecto, a Trilha de Negócios promovida na Latinoware 2016, ganha relevância e amplitude para formação de novos empreendedores e também para reforçar a visão sistêmica da comunidade, como um todo, sobre as infinitas possibilidades de novos negócios e sistemas empresariais?

Foi pensando nesse ambiente que apoiamos a decisão de se criar uma trilha específica para negócios. Pela nossa experiência, tanto no Brasil quanto em outros países, o número de insucessos de iniciativas empreendedoras é muito grande e, na maioria das vezes, isso acontece porque o jovem empreendedor tem uma ideia e acredita que ela seja disruptiva. Mas, esquece que para consolidar uma ideia é necessário transformá-la num negócio e, para isso, entender de gestão é fundamental.

Leia a entrevista na íntegra

 

 

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Seminário de Inovação em Governador Valadares

Regional Rio Doce e Sebrae realizam seminário para discutir modelos de novos negócios para inovação disruptiva.

A FIEMG Regional Rio Doce e o Sebrae realizaram no dia 15 de setembro, o “Seminário de Inovação”. O objetivo foi despertar nos participantes a importância de adquirir e desenvolver conhecimentos, de maneira que os estimulem a criar produtos e serviços inovadores para seus clientes. Foram abordados exemplos de startups, empresas jovens, que oferecem soluções, por meio de ideias criativas e inovadoras.

Leia a matéria na íntegra

 

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Confira aqui matéria publicada no DCI sobre o projeto Ideas for Milk.

Até 12 de outubro, empreendedores interessados em encontrar soluções tecnológicas para o mercado lácteo poderão se inscrever no desafio de startups Ideas for Milk, realizado pela Embrapa em parceria com universidades e outras instituições públicas e privadas, como Totvs, AgriPoint, Carrusca Innovation, Litteris Consulting e Qranio.

Leia aqui a matéria na íntegra. 

 

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Confira aqui a matéria publicada no Diário do Comércio, dia 28/07/16, sobre o projeto Ideas for Milkum desafio nacional de empreendedores para melhorar a cadeia produtiva do leite. O projeto está sendo realizado pela Embrapa, em parceria com a Carrusca Innovation, consultoria especializada em innovation management, Litteris Consulting, consultoria em transformação digital, e Qranio, plataforma de jogos voltada a tornar o aprendizado divertido.

Embrapa lança desafio de startups » DC Inovação » Diário do Comércio
http://www.diariodocomercio.com.br/noticia.php?tit=embrapa_lanca_desafio_de_startups&id=171412

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VÍDEO

INOVAÇÃO COLABORATIVA no Canal Futura

Inovação colaborativa, gestão contemporânea, modelos de negócio, inclusão social, crise,  tecnocultura e transformações digitais foram  assuntos do recente bate-papo do especialista em inovação MAURO CARRUSCA e do consultor estratégico digital  CARLOS NEPOMUCENO, no programa CONEXÃO FUTURA. Confira.

 

 

ARTIGO

INOVAÇÃO: um poderoso remédio contra a praga da ineficiência

  Mauro Carrusca   

 19/02/2016

                                                                

2 horas e 45 minutos por empregado, por semana. Esta é a perda de tempo registrada por empresas globais em razão da ineficiência. Impressionante, não é mesmo? Saiba também que, em média, apenas 13% dos trabalhadores no mundo estão engajados no trabalho. É isso mesmo que você leu. A maioria das pessoas está desengajada, desmotivada e descomprometida com as organizações para as quais trabalham.

Estas e outras conclusões alarmantes aparecem no estudo State of the Global Workplace, realizado pelo Gallup, em 142 países. Considerando apenas as Américas (veja quadro abaixo), o Brasil tem o menor índice de engajamento. Apesar deste estudo ser de outubro/2013, não percebemos nenhuma mudança brusca no cenário que tenha sido capaz de alterá-lo significativamente. 

                                                              

O resultado disso? Alongamento de prazos, orçamentos extrapolados, empregados altamente estressados e perda de competitividade. As pragas da ineficiência e da apatia estão escondidas atrás de planilhas, infográficos e apresentações espetaculares. Mas estão lá.  

 

Mas, como isso é possível com tanta tecnologia?

As transformações tecnológicas que estamos vivenciando nos últimos anos vêm impactando profundamente, tanto modelos de negócios como estruturas sociais, principalmente em relação a comportamentos.  A capacidade de adaptação rápida a essas mudanças tornou-se um ativo fundamental no universo empresarial, pois as mudanças são exponenciais, enquanto o mundo está acostumando a pensar de forma linear.

Então, nesse contexto de mudanças exponenciais, o sucesso empresarial passou a ser medido pela velocidade. Ganha importância a capacidade de pivotar e de “virar o jogo”, cada vez mais rápido. A pressão por prazos mais curtos e orçamentos mais enxutos viraram mantras para os gestores, assim como a obrigatoriedade de realizar tarefas com menos gente. Em outras palavras, o velho jargão “fazer mais com menos” continua atualíssimo, sobretudo em tempos de crise. Haja fôlego!

E não somente fôlego. Também é preciso estratégia... Lembra daquele caso em que dois caras estão fugindo de um leão raivoso, quando um deles para e troca suas botas por um tênis de corrida? ‘O que você está fazendo?’ - o outro cara pergunta – ‘Este tênis o fará correr mais rápido que o leão?’ Ele então sorri e responde: ‘Eu não preciso correr mais rápido que o leão, e sim mais rápido do que você’.

É preciso olhar o entorno e as ferramentas de que dispomos. Enquanto o mundo empresarial está nesta corrida desabalada, pesquisas mostram que os empregados estão acionando a marcha lenta. Estão se sentindo desmotivados e lutando para equilibrar vida pessoal e trabalho. E o mais importante: estão longe de querer dar o seu melhor e ajudar as organizações a atingirem seus objetivos.

Numa economia interconectada, em que o mercado de trabalho é global, o esperado é que possamos dar respostas consistentes em tempo real, de qualquer lugar que estivermos, certo? Mas, não é isso que se vê. Embora estejamos utilizando muitas tecnologias para organizar nossa agenda diária, controlar prazos e projetos, nos comunicar de forma instantânea, colaborar com parceiros e colegas de trabalho a milhares de quilômetros, muitos processos de trabalho continuam ineficientes e arrastados, gerando prejuízos e descontentamento.

 

Quais os impactos disso na inovação?

Deixando de lado as questões de segurança ambiental, será que se a equipe da Samarco (e mineradoras em geral) tivesse priorizado a busca por soluções inovadoras e não convencionais, levando em consideração, por exemplo, a economia circular, não teria sido possível dar uma melhor destinação a seus rejeitos de produção? E as normas de segurança da companhia, porque ninguém nunca ousou desafiar a equipe a repensá-las, reinventá-las, torná-las mais funcionais? É bem possível que se tivesse havido inovações nessas áreas, a tragédia pudesse ter sido evitada ou, pelo menos, seus efeitos poderiam ter sido minimizados.

Estamos falando da Samarco de forma ilustrativa porque, pela proporção da tragédia, seus movimentos e decisões continuam a despertar o interesse de toda a sociedade. Mas, pontos de ineficiência estão em todas as empresas. E é justamente das ineficiências de algumas delas que têm surgido novos e interessantes modelos de negócios. O Uber e o Air BNB não nos deixam mentir.

Já parou pra pensar nos efeitos de uma gestão do tipo “correr atrás do próprio rabo” no campo da inovação? Considerando os desafios da jornada da inovação, é impossível chegar a inovações disruptivas com uma turma desmotivada, sem brilho no olho e sem vontade de fazer diferente. Estaremos fadados a manter o status quo e a incentivar apenas inovações incrementais?

A pressão por performances crescentes e a sensação constante de falta de tempo ajudam a explicar em parte esse descompasso entre as expectativas da empresa e as do trabalhador, mas, no meu ponto de vista, o principal problema é outro. Reside no fato de as empresas trabalharem com pessoas e com tecnologias do século XXI, mas com metodologias, modelos de gestão e mentalidades do século XX. Em outras palavras, estamos trabalhando de forma errada.

Além disso, embora muitas empresas se esforcem, não estão mais conseguindo engajar as pessoas com suas crenças e valores. No fim das contas, os negócios estão pagando um alto preço pela estrutura Frankenstein que criaram e que alimentam forçosamente. E isso irá se manter enquanto o “C level”  insistir em não entender o job to be done e atuar nele.

 

A união de cérebros e bagagens diferentes produz inovação

O especialista em inovação Victor Huang, no livro The Rainforest: The Secret to Building the Next Silicon Valley, do qual é coautor, diz que a empresa inovadora se assemelha a uma floresta tropical: exuberante, imprevisível, diversa, sem controle absoluto. Nesse ecossistema, simbolizado pelo Vale do Silício, até as ervas daninhas contribuem para seu desenvolvimento. Para ele, a empresa precisa ser inclusiva, incentivar a participação e a inovação.

Concordo com ele, mas devemos considerar também nossa cultura empresarial ultrapassada, hierárquica e focada no curto prazo. Temos medo de correr riscos, não estamos preparados para aceitar o ambíguo, o incerto, o imprevisível e o colaborativo – componentes autênticos do processo de inovação. Frequentemente, não nos preocupamos em engajar as pessoas, restringimos sua liberdade de criação com estruturas hierárquicas complexas e arcaicas e não toleramos facilmente erros. Preferimos o chicote. Cobrar, exaustivamente, prazos e performances.

Enquanto isso, empresas “fora da curva”, como a Amazon, são exemplos de como uma gestão aberta e participativa gera resultados e negócios exponenciais. A empresa conseguiu engajar seus colaboradores com uma política interna de liberdade para criar e experimentar e tolerância a falhas. O resultado é que a empresa não para de sacudir o mercado com inovações surpreendentes. O sistema Prime Air, atualmente em teste, promete entregar em 30 minutos ou menos produtos diretamente na casa dos consumidores. É o prenúncio de como serão as entregas em um futuro não muito distante.

No Brasil, infelizmente, estas práticas de gestão e políticas de inovação ainda se restringem a poucas empresas e setores. Ocorrem em larga escala apenas em startups, já que sua natureza é experimental e disruptiva. Precisamos mudar esta realidade para poder mudar o rumo da competitividade de nosso país. Até porque, a todo momento e vindos de todas as partes surgem novos modelos de negócio, produtos e processos inovadores que mudam completamente as regras do jogo e fazem com que segmentos inteiros tenham que se reinventar, sob o risco de sair do mercado. Como disse certa vez Derek Bok, ex-reitor e ex-diretor da Faculdade de Direito de Harvard:  “Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância.” Parafraseando Bok, se você acha que acompanhar o ritmo das mudanças é penoso, imagine o custo de ignorar sua evolução.

 

Negligenciar aspectos humanos gera uma fatura alta

Outro estudo recém-publicado e igualmente interessante, chamado “A empresa inovadora: como as multinacionais liberam seu potencial criativo”, realizado pela The Economist, mostra que a inovação é a grande aposta do mundo empresarial hoje, mas que muitas empresas ainda estão desperdiçando a capacidade de seus melhores cérebros por não dar a importância devida à comunicação e por criar empecilhos para que a colaboração ocorra.

De fato, as empresas frequentemente superestimam sua comunicação e negligenciam a interação entre as pessoas. Acham que está tudo bem, que seus canais formais dão conta do recado, quando na verdade os empregados não os usam ou não dão a mínima importância a eles. Não raro, sobrepõem atividades, procrastinam tarefas importantes e criam gargalos simplesmente porque não conhecem objetivos estratégicos de um projeto ou atividade, não alinham previamente prazos e condições e não se falam para trocar observações, aprendizados, restrições e empecilhos para as tarefas que naturalmente aparecem durante a jornada. Ou seja: não trabalham de forma colaborativa.

Sem dúvida alguma, comunicação é muito importante para a inovação. Quando a comunicação tem um bom apelo, ela cativa, envolve, motiva e engaja as pessoas. Não é a toa que 81% dos pesquisados deste estudo afirmam que melhorar as habilidades de comunicação da equipe aumentaria significativamente a capacidade de sua empresa inovar.

De acordo com este estudo, empresas no mundo todo estão apostando seu futuro em sua capacidade de inovação. Criar novos produtos e serviços tornou-se uma das três prioridades para 54% das empresas, mais importante do que cortar custos ou investir em talentos. Mais de 2/3 (71%) aumentaram investimento em inovação nos últimos três anos e 25% o fizeram de maneira significativa. Essa tendência não mostra sinais de diminuição. Nos próximos três anos, espera-se que quase 1/3 das empresas pesquisadas aumentem consideravelmente seus investimentos em inovação.

Como já disse, os desafios de hoje exigem uma gestão mais participativa e que incentive a inovação e a colaboração. A propósito, o próprio planejamento estratégico tradicional deve ser substituído pelo planejamento colaborativo, onde missão, visão, e objetivos passam a ser não somente do negócio, mas de cada indivíduo. Isso gera a chamada “confiança criativa”.

Para Tom e David Kelley, fundadores da IDEO, consultoria de inovação e design, confiança criativa envolve acreditar na capacidade da pessoa mudar o mundo ao seu redor. É a convicção de que se é capaz de fazer qualquer coisa. E grande parte da essência da inovação está na autoconfiança das pessoas que a criam. Aliás, esse assunto é tema do workshop Pensamento Criativo que temos aplicado em várias empresas. Barreiras criadas por excesso de hierarquia, dificuldades de aproximação e de comunicação e processos inflexíveis, além de gerarem ineficiência, minam a confiança das pessoas e destroem aquela convicção de que têm uma solução incrível para um problema da empresa.

Com essa atmosfera positiva, colaborativa e dinâmica ficará muito mais fácil engajar as pessoas e aniquilar as 2 horas e 45 minutos de perda, por empregado, mencionadas acima.

Creio firmemente que uma das áreas mais promissoras para inovar é a gestão. Os gestores devem fazer o exercício de olhar profundamente para dentro de suas organizações e mercados, não apenas para descobrir falhas e pontos de melhoria, mas principalmente para identificar oportunidades latentes e ocultas que, uma vez desenvolvidas, podem resultar em ativos valiosos.

Um conselho? Não faça isso sozinho ou somente acompanhado por outros gestores. Convide trabalhadores da base da pirâmide, clientes, clientes dos clientes, parceiros e outros stakeholders. A Plataforma KER, modelo que cria uma cultura da inovação na empresa, através da colaboração e inclusão, pode ajudá-lo a fazer isso de forma estruturada.

Então, use a dose certa do remédio para acabar com a praga da ineficiência.

 

 

Tags: Ineficiência, inovação, colaboração, ambiente de negócios, risco, potencial inovador, pensamento criativo, Plataforma KER

Mauro Carrusca - Engenheiro Eletrônico, especialista em Inovação, Design Thinking e Empreendedorismo  pelo Babson Executive and Enterprise Education (EUA). CEO da CARRUSCA INNOVATION, Diretor da SUCESU Minas, Consultor da FGV e SEBRAE e Prof. do IBMEC.  Anteriormente executivo e consultor da IBM BRASIL e IBM Estados Unidos.  Idealizador da Plataforma KER, colunista da revista Inteligência em Foco e do portal Banco Hoje. Escritor e conferencista em eventos nacionais e internacionais.

Nota do autor: Fruto de vários anos de desenvolvimento, a Plataforma KER implanta na organização um ambiente inovador. Tem como foco a criação de uma cultura da inovação através de uma gestão mais horizontal, colaborativa e inclusiva, sem perder a governança. Para  mais informações, acesse: www.keroinovar.com.br/plataforma-ker

Aqui você receberá nossos artigos e convites para eventos.

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ARTIGO

O difícil, tortuoso, mas maravilhoso caminho da inovação

  Mauro Carrusca   
  04/12/2015

Hoje o Brasil atravessa um momento político instável e isso tem refletido de forma contundente na economia. Vivemos o pior ambiente econômico dos últimos 25 anos, de acordo com o “Indicador de Clima Econômico” elaborado em parceria pelo instituto alemão Ifo e a Fundação Getulio Vargas, divulgado em novembro/2015. As crises política e econômica já estão dando dor de cabeça suficiente para empresários e gestores, mas, infelizmente, outras ameaças e pressões se avolumam no horizonte.

Aumentou a complexidade do cenário. Tragédias ambientais como a ocorrida em Mariana-MG, que revelou o quanto estamos despreparados para acidentes dessa natureza, a insegurança mundial devido ao terrorismo - vide ataques recentes em Paris e em Mali (África), a crise no abastecimento de água que vem afetando não só o Brasil, mas vários lugares do planeta. Como se não bastasse, ainda vemos a posição arbitrária de algumas nações, que resistem em contribuir para minimizar a emissão de gases de efeito estufa (CO2) que ajudam a agravar o aquecimento global, tema destaque da 21ª Conferência do Clima (COP 21- Paris, dez/2015). E por aí vai. Porque a lista é extensa.

Por que estamos colocando estes fatos, sobre os quais muitas vezes as empresas não têm como atuar? Porque as empresas não são ilhas. Pelo contrário, estão imersas neste turbulento oceano e, para sobreviverem, se expandirem e manterem-se competitivas, precisam inovar, rever seus processos e sua gestão, reposicionar sua marca e repensar até mesmo o próprio modelo de negócios.

Mas inovar não é fácil. Inovar é estar predisposto a errar, sacudir a poeira e tentar novamente.

Infelizmente, quando se pensa em inovação, vem logo à cabeça a criação de produtos “fora de série” ou mesmo a solução de algum problema de uma maneira muito original ou inusitada. Em minha opinião, isso é um grande equívoco. Inovar tem muito a ver com simplicidade. Grandes inovações saíram de ideias simples, baratas e eficientes. Por exemplo, o escorredor de arroz foi inventado no final da década de 50 por uma dona de casa brasileira, que decidiu juntar uma bacia a uma peneira de plástico, impedindo assim que os grãos caíssem na pia quando a água usada para lavar o arroz é jogada fora.

Criar as ideias e transformá-las em resultados não é tarefa fácil. Escrevi isso em meu artigo anterior (Inovar não é trivial) e repito aqui por achar importante frisar esse aspecto da jornada da inovação. Entendo que, não ter medo de errar, encarar riscos, ter persistência, resiliência e ousadia, que são características fundamentais do empreendedor, são competências requeridas também na estrada da inovação. Em outras palavras, a inovação e empreendedorismo caminham juntos.

Não basta não ter medo de errar. Para que inovações sejam colocadas em prática, é necessário que o ambiente organizacional também seja inovador, caso contrário se perde muito tempo e energia e o esforço pode representar uma “corrida de ratos”, onde as inovações se tornam inócuas e não raro perdem o timing. A criação de cultura da inovação e uma gestão mais inclusiva e colaborativa permitem o desenvolvimento de inovações de valor para o negócio e/ou o surgimento de outros negócios promissores.

Persistência é uma atitude daquele que não desiste. Segue rumo aos objetivos sem pensar em dificuldades ou fracassos anteriores. A persistência é uma das principais virtudes dos inovadores.

No mundo da inovação encontrar obstáculos é muito comum, superá-los é para poucos, por isso ser resiliente é muito importante. Resiliência é um aspecto psicológico definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico.  Ser inovador exige coragem, ousadia, ir além dos outros, sair do padrão, assumir uma atitude que não é tomada por qualquer um. É preciso personalidade e o ímpeto de querer fazer diferente.

Todas essas características facilitam os caminhos para a inovação, mas não são suficientes para transformar a inovação em realidade. Particularmente, não acredito somente em inovações capitaneadas pelos professores pardais ou pelos gênios solitários. A revolução digital que estamos vivenciando nos mergulhou em um mundo mais colaborativo, onde o conhecimento perdeu sua fronteira física. Podemos afirmar que a arte de inovar não cabe a um único indivíduo. Engana-se quem pensa que a figura do inovador está intrinsecamente ligada à do executivo ou presidente da empresa (ou ao gerente de inovação ou cargo que o valha).

A ordem do dia é a gestão participativa. Os colaboradores de hoje devem ser tratados e se sentir como acionistas da empresa. Protagonistas para o desenvolvimento, crescimento e consequente sucesso da organização. Acredito que a figura do líder é incentivar, patrocinar, propiciar condições para que seus subordinados se sintam realizados em seu trabalho, dar espaço para que as ideias fluam e sejam criadas (e incrementadas, melhoradas por outras pessoas). É agregar pessoas que, como ele, tenham atitude para encarar este desafio e viver este sonho.  É também reconhecer que inovar é muitas vezes realizar alguma coisa que para nós é inédito (nossa empresa, departamento, segmento ou nós como indivíduos), mesmo que para outros não o seja.

Não tenha dúvidas, inovar não é tarefa para qualquer um. Exige muita dedicação e vontade de fazer acontecer. Implicará em vários erros, o caminho é difícil e tortuoso, mas o resultado é fantástico.

Agora pense:

Qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez? E quando você cedeu seu tempo para ajudar ou compartilhar um novo conhecimento com um colega? Qual foi seu último abraço afetuoso na pessoa com quem você compartilha sua vida?

Como já disse, inovar é antes de tudo ATITUDE.

Tags: Inovação, colaboração, criatividade, empreendedorismo, pensamento inovador, ambiente inovador, plataforma KER, empreendedorismo, cultura da inovação

Mauro Carrusca - Engenheiro Eletrônico, especialista em Inovação, Design Thinking e Empreendedorismo  pelo Babson Executive and Enterprise Education (EUA). CEO da CARRUSCA INNOVATION, Diretor da SUCESU Minas, Consultor da FGv e SEBRAE e Prof. do IBMEC.  Anteriormente executivo e consultor da IBM BRASIL e IBM Estados Unidos.  Idealizador da Plataforma KER, colunista da revista Inteligência em Foco e do portal Banco Hoje. Escritor e conferencista em eventos nacionais e internacionais.

Nota do autor: Fruto de vários anos de desenvolvimento, a Plataforma KER implanta na organização um ambiente inovador. Tem como foco a criação de uma cultura da inovação através de uma gestão mais horizontal, colaborativa e inclusiva, sem perder a governança. Para  mais informações, acesse: http://www.keroinovar.com.br/kero-mais

 

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ARTIGO

Inovar não é trivial

  Mauro Carrusca   
  30/09/2015

 

“O cemitério está cheio de boas ideias!”

Esta é uma expressão que sempre uso em minhas palestras, conferências e aulas. Por quê?

Para entender isso, veremos que a inovação está ligada ao insight, ao ambiente, à criatividade, a um propósito, à colaboração e articulação e à aceitação do fracasso.

 

O Insight

O famoso insight ou inspiração aparece diferentemente para cada pessoa. Para uns, na leitura de um texto interessante. Para outros, numa frase ouvida ou simplesmente numa desconexão, quando na prática de seu esporte favorito. Conta-se que quando Einstein ficava frustrado durante os estudos do projeto de relatividade geral, ela pegava seu violino e tocava Mozart até conseguir se reconectar com aquilo que ele chamava de harmonia das esferas.  

Ao aparecer um insight, em geral sentimos aquela comichão, uma sensação de urgência para colocar a ideia em prática imediatamente. Seja para aplicar uma sacada que pode valer um salto na carreira (na correção de um erro, melhoria em um processo, a criação de um produto ou serviço) ou mesmo empreender na criação de um negócio milionário. Isso, com certeza, já aconteceu com você.

Ambiente inovador

Para Isaacson, autor do livro Os inovadores, a inovação ocorre quando sementes maduras caem em solo fértil. O ar que respiramos dentro do ambiente de trabalho pode conspirar contra ou a favor da criatividade. Em outras palavras, ter um ambiente não somente físico, mas envolto de pessoas colaborativas e empreendedoras, com desejo de fazer diferente, influi positivamente no processo de inovação.

Um ambiente refratário ao novo está diretamente relacionado ao baixo índice de inovação. Faz com que muitas excelentes ideias nem mesmo cheguem a ser compartilhadas com chefes, companheiros de trabalho ou amigos. São simplesmente esquecidas e raramente levadas a cabo. Perdem a importância frente às demandas, prioridades e urgências do dia a dia.

Esse ambiente é caracterizado pela incapacidade de as empresas lidarem com projetos discrepantes de seu core, pela falta de orçamento, de pessoal, de lideranças inovadoras, com metas demais e tempo de menos. Para aprofundar no assunto, recomendo a leitura do post "Quer inovar? Acabe com o departamento de inovação" (role a barra) onde discutimos o equívoco de se tratar a inovação como um setor ou departamento.

Criatividade – sozinha, ela não é suficiente

Definitivamente, a era do gênio solitário acabou. A história tem mostrado que avanços não têm apenas uma causa, mas são resultado da sinergia entre capacidades, ideias e necessidades que coincidiram em vários lugares. De fato, essas “coincidências” não são raras. Ocorreram com o desenvolvimento computacional, quando pesquisadores em diferentes lugares do mundo, usando tecnologias diferenciadas, criaram sistemas semelhantes ou complementares e o mesmo aconteceu no desenvolvimento de estudos que originaram a teoria da relatividade.

A maior parte das grandes inovações da era digital nasceu de um efeito combinado da criatividade de indivíduos com equipes que souberam como implementar as ideias deles. Em geral, as boas ideias, quando compartilhadas, são trabalhadas, recompostas, recombinadas. Esse processo de refinamento acaba por testar a eficiência da ideia e torná-la melhor. Esse é um dos grandes diferenciais usados por startups na criação de aplicativos para smartphones, os populares app’s.

Uma ideia é apenas o ponto de partida na jornada da inovação. Levar adiante uma ideia no labirinto de refinamentos e aprovações, até a ideia se transformar em um projeto, ser desenvolvido, testado e, se for o caso, chegar ao mercado, requer habilidade de gerenciamento, uma boa estratégia e muito jogo de cintura. O valor de uma inovação está diretamente ligado ao esforço de seu desenvolvimento.

Concretizar uma ideia requer articulação, organização, orçamento, venda interna e externa da ideia, entre outros. Uma frase atribuída a Thomas Edison ficou popular nos manuais de gestão no século passado e até hoje é repetida à exaustão: “talento é 1% de inspiração e 99% de transpiração.” Essa frase faz todo o sentido para o processo de desenvolvimento da inovação.

Propósito - a morte da “caixa de sugestões”

É preciso estar claro para as pessoas quais são os objetivos estratégicos da organização, para qual direção o mercado está seguindo e qual a proposta de valor que a empresa quer efetivamente entregar ao cliente. As ideias não precisam e nem devem ser convergentes, mas é importante se atentar para o que de fato é relevante e sinalizar o que pode melhorado, dando às pessoas instrumentos flexíveis e colaborativos para proporem ideias e potenciais soluções.

Um ambiente inovador conspira para as pessoas se envolverem e quererem inovar. Mas não há lógica em um bando de pessoas cheias de ideias, cada uma andando em uma direção, muitas vezes desenvolvendo projetos similares e sem nenhuma conexão com os objetivos estratégicos da organização.

Aliás, foi-se o tempo das antiquadas e estáticas caixas de sugestões. Essas caixas foram (e ainda são) usadas para que as pessoas colocassem ideias visando melhorias, mas sem nenhum direcionamento. Como o processo não inclui um foco nas sugestões e uma governança colaborativa acaba por criar descrédito e frustração, pois surgem milhares de ideias que sequer são analisadas, não há feedback para os autores e tampouco implementação.

Existem inovações de diversas naturezas. As inovações incrementais podem ser importantes para melhorar produtos, ampliar mercados, otimizar processos, reduzir custos, entre outros. Por outro lado, muitas empresas estão se dando conta de que precisam competir em diferentes fronts. Todos os dias surgem startups propondo novas maneiras – via de regra mais simples e avançadas – de fazer as coisas. As atividades que fazem parte do seu core devem ser mantidas – embora tenham que ser questionadas de tempos em tempos – mas os gestores devem encorajar e fomentar inovações radicais, que possam confrontar ameaças de parceiros, concorrentes e de produtos ou serviços substitutos.

Exemplo? O UBER usou os avanços do digital e, através de um aplicativo para smartphone, lançou um modelo de negócio que conecta pessoas que precisam se deslocar com motoristas particulares que podem realizar esta tarefa. Tudo isso, com regras claras para ambos. E isso trouxe benefícios para a sociedade: criação de milhares de postos de trabalho, melhoria da qualidade do serviço ao cliente e da mobilidade urbana. O que aconteceu? Presenciamos o aparecimento de um negócio disruptivo, que colocou o negócio táxi em xeque e pegou governos literalmente com as calças nas mãos, pois não havia nenhuma convenção ou lei preparada para este tipo de serviço. A uberização, neologismo para definir modelos de negócios inovadores e disruptivos, vem hoje amedrontando negócios existentes e porque não também os governos.

A importância da colaboração e da articulação

Entender o que significa colaboração passa a ser a chave na constituição de ambientes inovadores. Temos consciência que as pessoas são únicas, tendo comportamentos diferentes frente ao mesmo problema ou desafio. Entre as diversas explicações para isso, podemos citar o comportamento do cérebro - dividido em hemisfério direito (mais emocional) e esquerdo (mais racional e analítico) - e a personalidade, muitas vezes influenciada pelo meio onde o indivíduo vive ou foi criado.

O processo colaborativo, que vai depender também de uma comunicação eficaz, inicia-se na integração das pessoas com foco no desenvolvimento ou mesmo na solução de problemas. A formação de grupos com pessoas vindas de outras realidades (inclusive externas à organização – inovação aberta ou open innovation) possibilita a criação de grupos multidisciplinares, reunindo saberes e complexidades que podem tornar as ideias originais muito mais poderosas. Hoje, com a evolução tecnológica, ficou mais fácil juntar forças com universidades, parceiros, fornecedores e clientes não só para articular projetos inovadores, mas também na busca por soluções para problemas comuns. A inovação aberta propicia que culturas e comportamentos diferentes enriqueçam a discussão, inserindo elementos novos que podem ser decisivos para transformar dificuldades em grandes oportunidades. Um exemplo de colaboração e inovação aberta, já utilizado há bastante tempo, são as plataformas de software livre.

Dentro das organizações, é necessário criar condições para a união de cérebros entre unidades de negócios, setores e áreas para que se produzam inovações que melhorem ou até mesmo revolucionem a empresa.

Mas, isso definitivamente não é possível sem a horizontalização da gestão ou, pelo menos, sem a diminuição do abismo entre a operação e o board, que impede a flexibilidade e a praticidade, desde a ideação até a execução de projetos.

Este desafio é objeto de um profundo estudo realizado por nós que originou a Plataforma KER, um modelo de gestão que propõe a criação de uma cultura da inovação (ambiente inovador) através da inclusão e colaboração.

O fracasso – ele pode e vai inevitavelmente acontecer

Um dos mitos do processo de inovação é achar que todas as ideias podem dar certo e isso é um engano. Quando perguntado se falhou 10 mil vezes no desenvolvimento da lâmpada, Thomas Edison respondeu: “I haven’t failed. I just found 10,000 ways that won’t work.” (“Eu não fracassei. Só descobri 10 mil maneiras que não darão certo.”) 

Em minha opinião, não existem ideias ruins. Todas as ideias são boas e relevantes. Existem casos em que uma ideia dita “ruim” provoca insights e com novas combinações pode transformar-se numa grande solução ou até mesmo num grande negócio.

Para terminar, embora à primeira vista inovação pareça ser consequência certa da aquisição de bons profissionais e de recursos tecnológicos, não se engane: inovar não é coisa trivial. Não existem fórmulas mágicas. Inovação no mundo dos negócios significa “mais dinheiro no caixa”, mas nunca devemos perder de vista o objetivo de melhorar a experiência do cliente (interno ou externo), pois isso será o fator primordial para o sucesso de uma nova ideia e da própria empresa.

O entendimento e uso dos aspectos citados somados a um trabalho dedicado e focado implicará não somente na geração de inovações pontuais, mas na criação de uma cultura da inovação.

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Tags: Inovação, colaboração, criatividade, pensamento inovador, inovação incremental, inovação radical, ambiente inovador, plataforma KER, caixa de sugestões, tecnologia

 

Especialista em Inovação, Design Thinking e Empreendedorismo pelo Babson Executive and Enterprise Education  nos Estados Unidos. CEO da Carrusca Innovation.  Atuou na IBM BRASIL e IBM EUA. É diretor de BPM & ECM da SUCESU MINAS, consultor da Fundação Getúlio Vargas, do SEBRAE e Professor do IBMEC.

É o Idealizador do Plataforma KER, um novo modelo de Gestão  com foco na criação de uma cultura da inovação através de uma abordagem inclusiva e colaborativa. Modelo certificado como propriedade intelectual pelo Ministério da  Cultura.

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ARTIGO

 

Quer inovar? Acabe com o departamento de inovação

   Por Mauro Carrusca   

   06/04/2015

Inovação tem sido entendida como sinônimo de tecnologia, e isso não é verdade. Estequívoco tem levado empresas a transferir a responsabilidade por inovações ao seu setor de tecnologia da informação ou mesmo ao setor de P&D. Outras procuram criar setores exclusivos para o desenvolvimento da inovação.

Como inovar é a palavra do momento, organizações e empresas, públicas ou privadas, de todos os portes e segmentos, têm investido tempo, esforços e recursos em inovação. Ela está na pauta do dia. Em várias oportunidades, tenho conversado com C-level’s e o assunto invariavelmente remete à pergunta: Como iniciar ou incrementar processos de inovação na empresa?

Na maioria das vezes, as respostas reforçam o que disse anteriormente, ou seja, já estão numa fase avançada de criação de um setor/departamento de inovação; outros vão mais longe e dizem que já estão fazendo vários investimentos em tecnologia.

Há algumas semanas em reunião com um diretor de uma grande empresa do varejo, ele me confidenciou que o presidente está à procura de um diretor de tecnologia porque deseja iniciar o processo de inovação na sua organização.

Chamo sua atenção para dois pontos importantes:

O primeiro é que inovação não é departamental, não pode ser setorizada como acreditam alguns comandantes de organizações. Inovação é um processo, necessita engajamento e inclusão das pessoas, necessita colaboração.  A sua adoção deve ser realizada de forma estruturada para que todas as pessoas possam fazer parte do processo, da “guarita” à “alta direção”, passando pelas áreas operacionais, P&D, vendas, tecnologia etc. Deve-se estabelecer uma sensibilização, isto é, instigar as pessoas a “se mexerem”, motivá-las a sair do lugar, a pensar diferente. Por que ainda hoje tantos líderes têm uma visão reducionista quando pensam em inovação? Por que será que ainda pensam somente em profissionais e estrutura de TI ou P&D?

É preciso lembrar que hoje todas as pessoas que fazem parte de uma organização têm acesso a tecnologias de ponta e, muitas vezes, a tecnologias até mais avançadas do que as da própria empresa. Vejam o fenômeno do BYOD (bring your own device) e, indo mais longe, um outro fenômeno, o da consumerização. Explicando melhor esses fenômenos, a linha que separa o que é trabalho e o que é a vida pessoal está cada vez mais tênue. As pessoas usam aplicativos (app’s) nos seus dispositivos móveis no seu dia a dia e, naturalmente, não querem restringir o uso desses aplicativos ao seu universo pessoal. Além do que querem que as aplicações de negócio sejam tão simples de usar quanto as app’s, e as empresas devem trabalhar de forma a facilitar esta integração.

Já está se tornando trivial ler ou ouvir sobre o aparecimento de modelos de negócios tão ousados e inovadores que colocam em xeque negócios tradicionais, muitas vezes, o negócio de sua própria empresa! Como fazer para que as pessoas se engajem ao ponto de, todos os dias, no seu deslocamento para o trabalho se perguntarem: Será que o que minha empresa fez ontem vale hoje? Será que o que eu fiz ontem ainda tem valor ou faz sentido hoje? O que eu poderia fazer diferente? Como?

Isso, sim, é pensamento inovador. A inovação deve ser perseguida por todos: líderes, times, parceiros de negócios. A inovação deve ser o DNA da organização. Um detalhe: estas questões valem para qualquer tipo de organização ou empresa, independente do segmento de atuação. Inovação não escolhe idioma, segmento, tipo de produto ou serviço ou estrutura organizacional.

O segundo ponto a que me referi é o entendimento equivocado entre “inovação” e “tecnologia”.

Como vimos, há realmente uma certa confusão entre inovação e tecnologia. Em minha opinião, inovação não é tecnologia, mas, também tecnologia. O que queremos dizer com isso? Que o mundo da inovação é muito mais amplo e complexo e, é lógico que a tecnologia dele faz parte. A inovação envolve processos, gestão, experiências etc. Por isso, as pessoas são as grandes protagonistas desse processo. Nada acontece sem elas. Uma empresa inovadora atrai e retém talentos, mantém seu negócio moderno, sustentável e rentável.

Esta visão faz parte de um estudo que venho desenvolvendo há mais de 20 anos. Como estudioso da evolução da microeletrônica e o consequente barateamento dos chips, já no início dos anos 90, eu acreditava que grandes transformações tecnológicas se aproximavam e que os recém-lançados “laptops” (revolucionários para a época) viriam para o bolso e com um poder computacional dezenas de vezes superior. E isso em menos de 10 anos! Essa evolução tecnológica implicaria em profundas mudanças comportamentais, em outras palavras, os “trabalhadores do futuro”, aquelas pessoas que eram crianças na época ou que ainda nem tinham nascido, teriam como seus valores máximos a colaboração intensa (provocada pelo avanço da tecnologia da informação e comunicação), com forte impacto em sua maneira de viver e ver o mundo.

Logo, as empresas e organizações precisariam repensar toda sua estrutura, visando adaptarem-se a essa nova realidade, uma realidade de pessoas totalmente diferentes. Outra conclusão importante foi que a inovação está diretamente relacionada a pessoas felizes, o que para essa geração é ponto fundamental. Mas o que é ser feliz dentro de uma organização? Nossas pesquisas e trabalhos nos mostraram que, no tocante às pessoas, ter as pessoas certas nos lugares certos faz com que elas desenvolvam a criatividade, o pensamento inovador e o trabalho colaborativo na busca por soluções únicas. Para a empresa que desejasse despontar como inovadora nesse mundo colaborativo que se aproximava teria que, antes de tudo, entender essa nova geração. Uma geração que não abre mão de valores, como por exemplo: qualidade de vida, felicidade, bem estar e consumo consciente antes do dinheiro. Uma geração que compartilha bens materiais e conhecimento. Por isso, digo e repito: antes de pensar em tecnologia como inovação é fundamental repensar a gestão. Nessa direção, o primeiro passo é mudar o modelo de gestão utilizado, que foca a divisão do negócio em três grandes silos (administrativo, operacional e comercial) para um modelo totalmente colaborativo e inclusivo (mais informações sobre este modelo clique aqui ou acesse: www.keroinovar.com.br).

Concluindo, as pessoas são o pulmão das empresas e a chave para a conquista de melhores resultados. Inovar requer um foco nas pessoas, pois times alinhados, motivados e valorizados constroem inovações de valor, ou seja, inovações que adicionam diferenciais reais para o negócio, que aumentam suas capacidades e o tornam mais atrativo e sustentável. 

Resultado? A inovação passa a ser parte do DNA da empresa levando a processos inteligentes e maior sinergia. Pessoas certas nos lugares certos, mais felizes e produtivas gerando melhores resultados.

Fechando nosso artigo, se você quer inovar, então pense a inovação de uma forma holística, abrangente e colaborativa. E não se esqueça: as pessoas são a fonte primordial da inovação. Quando trabalham juntas, constroem coisas incríveis e fazem do mundo um lugar melhor para se viver.

Esse é o caminho.

 

Tags: Inovação, tecnologia, criatividade, pensamento inovador, mobilidade, byod, consumerização, pessoas, engajamento, felicidade, transformações tecnológicas

 

Mauro Carrusca

Especialista em Inovação, Design Thinking e Empreendedorismo pelo Babson Executive and Enterprise Education nos Estados Unidos. Sócio fundador e CEO da CARRUSCA BUSINESS INNOVATION.  Anteriormente  executivo e consultor da IBM BRASIL e IBM Estados Unidos. Atua também como diretor BPM & ECM da SUCESU MINAS, consultor da Fundação Getúlio Vargas, do SEBRAE e Professor do MBA do IBMEC.

É o Idealizador do Modelo KERO+, um novo modelo de Gestão  com foco na criação de uma cultura da inovação através de uma abordagem inclusiva e colaborativa. Modelo certificado como propriedade intelectual pelo Ministério da  Cultura.

Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações, pós graduado em ciência da computação, Mestrando em Administração e possui MBA em Inovação e em Administração de Projetos. Conferencista  em eventos nacionais e internacionais em temas relacionados ao Mercado, Inovação, Inteligência  e Tecnologia. Colaborador da  revista Inteligência em Foco e do portal Banco Hoje. Autor de livros e artigos relacionados a tecnologia e inovação.

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Clique aqui para ler a matéria diretamente do site do jornal Diário do Comércio, caderno Negócios, 06/03/15, Para lelr, vocë deve se cadastrar gratuitamente no site.

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