Por que inovação colaborativa faz sentido

postado em: 19 - 03 - 2018

"A emergência de uma visão transformacional"

by Mauro Carrusca

 

Por que a Blockbuster faliu e a Netflix venceu? Todos os dias assistimos a estratégias vencedoras e perdedoras. No tabuleiro do empreendedorismo, negócios nascem e morrem em uma velocidade incrível. Alguns se tornam memoráveis e longevos, mas a grande maioria desaparece em um curto espaço de tempo, deixando um rastro de prejuízos e experiências amargas em muitos empreendedores. Em geral, só nos lembramos dos vencedores. Afinal, são eles que ficaram para contar a história. Mas os casos de fracasso são extremamente ricos para estudar estratégia e úteis para nos mostrar como a miopia cria cenários ilusórios e como a resistência ao novo alonga a agonia e torna a queda mais perigosa.

Retomando à pergunta  "Por que a Blockbuster faliu e a Netflix venceu?", feita por Charles A. O‘reilly Ili e Michael L. Tushman no livro Liderança e Disrupção – Como resolver o dilema do inovador, publicado recentemente pela HSM do Brasil, a diferença se resume a como seus líderes encaravam a mudança. A reação da Blockbuster foi reativa e defensiva. Seus líderes se concentraram em estratégias de crescimento e administração do negócio inicial: locação de vídeos em pontos de venda convencional. Já a visão dos líderes da Netflix era proativa e transformacional. Transformaram sua oferta, antes uma cópia da Blockbuster, em serviço de filmes online, focalizando valor, conveniência e opções para seus clientes. 

A Netflix se concentrou em se tornar uma empresa de entrega por banda larga. E isso era revolucionário em 2004. O que tem de mais revolucionário ainda na Netflix? Ela está disposta a canibalizar seus antigos negócios para ser bem-sucedida em novos. Para atrair e manter clientes, começou (em 2014) a produzir conteúdo. Ao produzir programação original, a empresa não busca apenas obter lucros de curto prazo, mas entrar em um jogo de longo prazo. Para Ted Sarandos, diretor-financeiro da empresa, a Netflix quer “se tornar a HBO mais rápido do que a HBO possa se tornar a Netflix”.  

Esta reflexão de O‘reilly Ili e Tushman reforça uma linha de pensamento que defendo há muito tempo: muitas empresas morrem não porque não fazem o que é certo, mas porque fazem o que consideram certo durante muito tempo. E o tempo em que vivemos não perdoa estratégias lentas e inflexíveis. É preciso mudar a todo momento, estando certo ou não. O sucesso de uma estratégia hoje pode significar o passo equivocado de amanhã. O ritmo desta era é o da mudança rápida, baseada em dados (abundantes e disponíveis) e na proximidade com o cliente, observando de perto sua experiência com a marca e suas expectativas (inesgotáveis).

Sempre digo que a grande característica do empreendedor é a resiliência e isso pode ser estendido para a mentalidade de uma gama de novas empresas que vem surgindo com a revolução digital. A própria Netflix, depois de ter sido indicada algumas vezes, agora, durante a 90ª edição do Oscar no último dia 04 de Março, conseguiu sua primeira vitória no grande prêmio de cinema com o documentário Ícaro, de Bryan Fogel. O filme investiga o fenômeno do uso de doping no ciclismo competitivo, mostrando atletas que passaram por esse processo e Dr. Grigory Rodchenkov, o médico e cientista russo que trabalhou com delegações olímpicas e levou a medicação para melhora de performance para outro patamar.

A Netflix, desde que iniciou sua produção de conteúdo, passou a competir com empresas tradicionais de Hollywood. Isso mostra que estamos imersos em novos tempos, onde as grandes protagonistas são empresas transversais que identificam oportunidades e passam a atuar em outros segmentos. Outro exemplo? a Amazon, terceira empresa mais valiosa do mundo (US$ 705 bilhões, segundo dados de fev/18). A Amazon coleciona inovações produzidas por equipes multifuncionais de segmentos diferentes e complementares aos seus, e tornou-se uma das grandes protagonistas da venda de produtos e serviços na nuvem. Dentro de seu modelo de atuação, a empresa ao mesmo tempo em que aproveita suas expertises de tecnologia para desenvolver novos negócios e mercados, explora mercados totalmente diferentes dos seus. Por isso, não para de trazer inovações incríveis e abarcar negócios bilionários.

A revolução digital mudou não apenas os processos de negócios, mas impactou de forma drástica na maneira como as pessoas consomem, compram, se manifestam, se relacionam enfim, como a sociedade vive. Empresas que foram lentas, resistentes, não acreditaram na força das transformações tecnológicas que se aproximavam, mesmo consolidadas em seus mercados, ou estão patinando ou estão desaparecendo. Estatíscas é que não faltam para comprovar isso. Na verdade, essas empresas estão sendo engolidas por outras com modelos de negócio e propostas de valor mais arrojadas. Por empresas que perceberam e se anteciparam para apresentar novas soluções, novas estratégias de negócios para esse novo consumidor “empoderado”. 

 

O porquê da inovação colaborativa

Ampliando o espectro dessa discussão, a revolução digital empoderou as pessoas, que na minha visão devem, sim, não importando seu nível hierárquico, contribuir com a cadeia de valor do negócio.  Todo esse movimento contextualiza bem o que vimos estudando e desenvolvendo há vários anos: a inovação colaborativa. Para colocá-la em prática, precisamos cada vez mais compartilhar nossas mentes e isso pode ser conseguido se as organizações migrarem para uma gestão mais horizontal e colaborativa. Em suma, todo esse estudo nos levou ao desenvolvimento da Plataforma KER, um novo modelo de gestão colaborativa que, ao entender  o empoderamento e promover a inclusão das pessoas, traz como um dos resultados uma contínua visão de futuro do negócio e, consequentemente, uma visão futura da jornada do seu cliente.

No livro Pinceladas de Inovação, lançado recentemente e no qual sou um dos coautores, mostro como a colaboração destroi barreiras, aumenta a produtividade e fomenta a inovação, porque diferentes perspectivas geram inquietações, que levam a novas possibilidades para o negócio ou até mesmo a novos negócios. Também falo da metodologia Plataforma KER, que vem ajudando empresas e organizações, nesse mundo da transversalidade, a entender a transformação contínua provocada pelas startups e a criar a tão sonhada cultura da inovação. 

A inovação colaborativa vai ajudá-lo a responder: Como a transversalidade pode ameaçar o segmento em que atuo? Que capacidades e skills poderiam ser canalizados para outros negócios? Como posso incrementar meu negócio e atuar como empresa transversal? Que novas perspectivas a transfomação digital trouxe e trará para meu mercado? Como aplicar a cultura startup ao meu negócio? Como adequar minha proposta de valor para pessoas "empoderadas", para os millennials e para as crianças que já são ou brevemente serão meus clientes? 


Saiba que se você e sua equipe não forem os protagonistas da mudança, outros ocuparão esse espaço. 


Pense nisso.

 

Tags: Inovação colaborativa, Cultura de inovação, Plataforma KER, Gestão, Liderança e Disrupção, Pinceladas de Inovação, Disrupção, Empresas transversais, visão transformacional

Mauro Carrusca é engenheiro Eletrônico, especialista em Inovação, Design Thinking e Empreendedorismo  pelo Babson (EUA) - escola de empreendedorismo e inovação. Estrategista de inovação e CEO da CARRUSCA INNOVATION, Vice-presidente de Startup e Empreendedorismo da SUCESU Minas, Consultor da Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e Prof. do IBMEC.  Ex executivo e consultor da IBM BRASIL e IBM Estados Unidos.  Idealizador da Plataforma KER e membro projeto ACELERAGRO de apoio ao empreendedorismo e inovação no segmento do agronegócio brasileiro , projeto formatado durante uma missão ao Silicon Valley (2016). Correalizador com a EMBRAPA do desafio de startups para melhorar a cadeia produtiva do leite no Brasil, Ideas for Milk (2016 e 2017). Também é colunista, escritor e conferencista em eventos nacionais e internacionais. Coautor do livro "Pinceladas de Inovação", lançado em fevereiro/18.

 

Nota do autor: Fruto de vários anos de desenvolvimento, a Plataforma KER é um novo conceito de gestão, que visa a criação de um ambiente inovador, provocando uma cultura da inovação através de uma gestão horizontal, colaborativa e inclusiva. Modelo certificado como propriedade intelectual pelo Ministério da Cultura. 
Para mais informações, acesse: www.keroinovar.com.br

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