Congresso de Inovação da Indústria

postado em: 04 - 07 - 2017

 

O futuro da indústria no mundo digital

by Márcia Vieira

 

A Carrusca Innovation esteve presente no 7o CONGRESSO BRASILEIRO DE INOVAÇÃO DA INDÚSTRIA, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Sebrae, nos dia 27 e 28 de junho, no Transamérica Expo Center (SP), e registra algumas impressões sobre a rica agenda de apresentações, o amplo compartilhamento de ideias e networking que aconteceram no evento. Confira!

 

Inovação precisa ser obsessão do empresário brasileiro 

Com o tema "O futuro da indústria no mundo digital", o evento movimentou mais de 4000 pessoas, entre grandes empresas, instituições e entidades e trouxe especialistas brasileiros e de diversos países para falar de iniciativas, tecnologias, modelos e casos de inovações de sucesso. Uma coisa ficou patente no discurso dos líderes de grandes empresas: "a inovação precisa se tornar uma obsessão para os empresários brasileiros". Nossas iniciativas ainda são iniciantes. Somos avessos ao novo e aos riscos. Precisamos acreditar mais na inovação, priorizá-la, ousar e desafiar velhas práticas para empurrar o Brasil rumo ao futuro.

 

Competitividade

Nossa baixa competitividade em relação aos grandes players globais foi ressaltada por uma brilhante apresentação do Dr. Sumitra Dutta, reitor da Cornell School Johnson College of Business, Cornell University, que apresentou a pesquisa Global Innovation Index, mostrando porque o Brasil está estagnado na 69a posição em termos de desempenho em inovação. Precisamos de inovação para melhorar nosso crescimento econômico e nossa competitividade. Para isso, é fundamental investir no aprendizado contínuo, garantir a infraestrutura necessária (sobretudo tecnológica), enfrentar os riscos e desenvolver o gosto pela aventura.

 

Do local e linear para o "Exponencial e Global"

Descortinando as maravilhas, mas também as angústias de um mundo em rápida transformação, o co-fundador da Singularity University Peter Diamandis encantou a todos com seu carisma, inteligência e visão de futuro. Para Diamandis, a tecnologia está diminuindo ou acabando com as distâncias e tornando possível reinventar o futuro, resolvendo novos e velhos problemas da humanidade. Seu mantra são as ideias exponenciais, que constroem negócios com impacto 10x maior em vez de apenas 10% maior. O professor deixou desafios instigantes: O que você pode trazer de inovação para o mundo? Qual ideia maluca podemos tornar possível?

Indústria 4.0

Aplicações de inteligência artificial, IoT, robótica, drones, impressão 3D, realidade virtual e realidade aumentada estão cada vez mais presentes na indústria, automatizando e dando mais inteligência e eficiência aos processos industriais. Grandes exemplos de aplicação foram mostrados por gigantes como GE, Siemens, Bosch e Festo, mas onde estão as inovações da indústria brasileira? A aridez de exemplos brasileiros mostra o quanto estamos distantes de projetos realmente inovadores. Se não melhorarmos, estaremos fora do jogo e seremos sempre o “país do futuro”. O dever de casa? requalificação das pessoas em todos os níveis, rever processos, desejo genuíno por melhorar a produtividade, praticar a colaboração, aprender com os erros (em vez de punir quem tentou) e inovar permanentemente.

 

Mais marketing das inovações brasileiras

Embora poucas e de baixo potencial exponencial, é muito importante divulgar o que se produz de inovação no Brasil. Sofremos da síndrome do avestruz. Se quisermos alcançar relevância teremos que botar a cabeça para fora e encarar o mundo. Isso quer dizer que as companhias também precisam compartilhar o que fazem, seus sucessos e seus fracasso. Praticar a comunicação e a colaboração contribuirá para o Brasil aumentar sua inserção internacional e incentivar o aparecimento de startups, fortalecer o ecossistema de inovação, valorizar novas ideias e novas soluções.

 

Cadê o industrial?

Encontramos e nos relacionamos no Congresso com representantes de inúmeras instituições e entidades, mas notamos uma clara ausência de profissionais e empresários da indústria. Uma pena que os mais interessados em mudanças do setor industrial ficaram fora das reflexões, discussões e caminhos apontados. Às vezes, uma paradinha na correria do dia-a-dia faz muito bem, especialmente se for para adquirir novos conhecimentos, trocar e compartilhar ideias tão relevantes para o futuro da indústria. A ausência das universidades neste importante evento também foi sentida, o que evidencia que muito ainda terá que ser feito para reduzirmos o gap existente entre a academia e o setor produtivo.

 

Startups e conexão com grandes empresas

Na era exponencial, fica evidente a efemeridade dos modelos de negócio. Observa-se que as grandes empresas estão se amarrando a pequenas notáveis (startups) para sobreviver. A energia das startups traz um novo fôlego e um tempero diferente e pode conduzir a novos processos, produtos e serviços e até à adoção de novos modelos de negócio. Mas, a química entre ambas ainda é problemática. Em geral, as empresas possuem uma cultura arraigada a estratégias tradicionais e que já dominam. Já as startups atuam no modelo ágil e são avessas à burocracia, ao "não pode" ou ao “sempre fizemos assim”. Encontrar formas de interagir e de construir juntos é vital, pois um ecossistema de inovação possui diferentes atores, com diferentes necessidades. No Brasil, apesar de tanto oba oba, estamos longe de uma participação ativa das startups na indústria. Estamos atrasados e desatentos com as perspectivas que esse sangue novo pode trazer.

O professor Daniel Isenberg, da Babson, sustenta que incentivar startups do tipo "cavalos de carga" (dispostas a fazer o trabalho pesado), que são mais adaptáveis e úteis às empresas (especialmente às indústrias) é mais inteligente do que perseguir as do tipo "unicórnio" (de rápido crescimento e capazes de impactar muitas pessoas mundo afora).

 

Cultivar talentos para a inovação

Ficamos felizes de ver que expoentes como Guilherme Afif Domingues, presidente do SEBRAE, e Paulo Afonso Ferreira, vice-presidente da CNI, acreditam que a inovação está ligada às pessoas, tema fortemente defendido por nós da Carrusca Innovation.

Estamos assistindo a grandes e rápidas mudanças em todos os setores e também no comportamento das pessoas e de suas demandas. Por isso, o painel com players como Samsung, Microsoft, Sebrae, Instituto Eurasia e AbStartup não deixou dúvidas de que empresários e gestores de RH terão que repensar sua abordagem em relação à nova geração, hoje muito mais tecnológica, conectada e colaborativa que a de uma ou duas décadas atrás. Isso também vale para as universidades e escolas de formação e desenvolvimento de líderes. Requer uma mudança na forma de atrair, capacitar, desenvolver e reter talentos nas empresas. 

Em 2018 tem mais. E certamente estaremos lá.

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